Dai-lhes de comer

Dai-lhes de comer

Procura um local sossegado que possas ter preparado para momentos de oração. Acomoda-te e faz silêncio, deixando que Jesus vá ganhando espaço para este momento a dois que agora inicias

Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ámen

 

Música: https://www.youtube.com/watch?v=Loirl2ZuzYg

Ler: (Lc 9, 10-17)

Tomando os apóstolos consigo, Jesus retirou-se para um lugar afastado, na direcção de uma cidade chamada Betsaida. Mas as multidões, que tal souberam, seguiram-no. Jesus acolheu-as e pôs-se a falar-lhes do Reino de Deus, curando os que necessitavam. Ora, o dia começava a declinar.  Os Doze aproximaram-se e disseram-lhe: «Despede a multidão, para que, indo pelas aldeias e campos em redor, encontre alimento e onde pernoitar, pois aqui estamos num lugar deserto.» Disse-lhes Ele: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Retorquiram: «Só temos cinco pães e dois peixes; a não ser que vamos nós mesmos comprar comida para todo este povo!»  – Eram cerca de cinco mil homens.
Jesus disse aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta.» Assim procederam e mandaram-nos sentar a todos. Tomando, então, os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os aos discípulos, para que os distribuíssem à multidão. Todos comeram e ficaram saciados; e, do que lhes tinha sobrado, ainda recolheram doze cestos cheios.

Lê o Evangelho de novo. Procura imaginar a cena e perceber em concreto cada momento. Quem são os intervenientes? O que fazem? Como agem e porquê. Nesta primeira etapa da tua oração, procura explorar o texto e procurar entendê-lo… Relê-o quantas vezes aches necessário para que nenhum pormenor te escape.

 

Meditar

Jesus fala concretamente contigo neste momento. Continua a tua oração pensando naquilo que Ele te quer dizer com este texto. Se te ajudar, deixamos-te algumas pistas…

 

 

  • “Tomando os apóstolos consigo, Jesus retirou-se para um lugar afastado”

Podemos, em certa medida, dizer que a vida de Jesus foi uma correria. Acontecimentos a sucederem-se e um público sempre numeroso. Os apóstolos, neste momento concreto da história, poderão ter sentido algum alívio, imaginando algum sossego. Finalmente, iriam ter um momento de tranquilidade com Jesus. No entanto, o Evangelho conta-nos uma história que acaba por ser bem diferente: a multidão vai atrás e  esse momento de calma logo desaparece. Deus tinha planos para aquele final de dia, queria que Jesus fizesse um grande milagre…

Na nossa vida, muitas vezes acontece-nos o mesmo. Fazemos planos, imaginamos coisas e, de repente, somos invadidos pela multidão das mudanças, dos acontecimentos, das surpresas que a vida nos reserva… Por vezes, Deus tem planos para as nossas vidas e somos apanhados de surpresa… Sem saber muito bem como reagir…

  • “Despede a multidão”

Os discípulos vêm ter com Jesus ao final da tarde, preocupados porque a noite vai caindo e não há por ali onde comer ou dormir. Pelo menos, esta é a explicação que dão a Jesus. Mas, por detrás desse argumento, poderemos ser levados a pensar que eles estão a escolher o caminho mais fácil. Afinal, se aquela gente fosse para casa, eles ficariam descansados com Jesus. Poderiam, até, aproveitar o momento a sós que iriam ter com Jesus.

Na nossa vida, é comum escolhermos o caminho mais fácil. A nossa “zona de conforto”. Aquilo que nos deixa cómodos e nos facilita a vida. Ficamos presos ao que nos dá menos trabalho e, se possível, ao que nos dá gozo, prazer, alegria. Não ousamos e “despachamos” as multidões dos nossos cansaços, dos nossos trabalhos, para uma qualquer aldeia vizinha, que é como quem diz, para onde não nos incomodem.

  • “Dai-lhes vós mesmos de comer”

Jesus responde aos seus discípulos de uma forma surpreendente e desafiante. Afinal, eles é que eram os anfitriões. Eram eles os visitados, era para estar com Jesus que aquela gente tinha feito quilómetros.

Jesus sabe que, muito provavelmente, não há comida para tanta gente. Mas sabe que a confiança que nada há que Deus não possa. E conhece o poder da oração. Sabe que tem o Pai a seu lado e que o alimento não faltará.

Jesus desinstala os apóstolos como tantas vezes nos desinstala a nós. E o milagre acontece porque eles aceitam o desafio, ainda que, no início, estejam pouco receptivos e, inclusive, duvidem…

Na nossa vida, acontece tantas vezes o mesmo. Quando nos deixamos desinstalar, Jesus opera milagres. Daqueles que fazem com que “Todos comam e fiquem saciados; e, do que lhes tinha sobrado, ainda recolheram doze cestos cheios.” Basta confiar.

 

Música: https://www.youtube.com/watch?v=OML0mr3j8HI

 

Terminada a meditação, lê este excerto do discurso do Papa Francisco na Vigília de Oração da JMJ 2016, no Campus Misericordia, em Cracóvia

“Quando o medo se esconde no fechamento, fá-lo sempre na companhia da sua “irmã gémea”, a paralisia; faz-nos sentir paralisados. Sentir que, neste mundo, nas nossas cidades, nas nossas comunidades, já não há espaço para crescer, para sonhar, para criar, para contemplar horizontes, em suma, para viver, é um dos piores males que nos podem acontecer na vida. A paralisia faz-nos perder o gosto de desfrutar do encontro, da amizade, o gosto de sonhar juntos, de caminhar com os outros.

Na vida, porém, há outra paralisia ainda mais perigosa e difícil, muitas vezes, de identificar e que nos custa muito reconhecer. Gosto de a chamar a paralisia que brota quando se confunde a FELICIDADE com um SOFÁ! Sim, julgar que, para ser felizes, temos necessidade de um bom sofá. Um sofá que nos ajude a estar cómodos, tranquilos, bem seguros. Um sofá – como os que existem agora, modernos, incluindo massagens para dormir – que nos garanta horas de tranquilidade para mergulharmos no mundo dos videogames e passar horas diante do computador. Um sofá contra todo o tipo de dores e medos. Um sofá que nos faça estar fechados em casa, sem nos cansarmos nem nos preocuparmos. Provavelmente, o sofá-felicidade é a paralisia silenciosa que mais nos pode arruinar; porque pouco a pouco, sem nos darmos conta, encontramo-nos adormecidos, encontramo-nos pasmados e entontecidos enquanto outros – talvez os mais vivos, mas não os melhores – decidem o futuro por nós. Certamente, para muitos, é mais fácil e vantajoso ter jovens pasmados e entontecidos que confundem a felicidade com um sofá; para muitos, isto resulta mais conveniente do que ter jovens vigilantes, desejosos de responder ao sonho de Deus e a todas as aspirações do coração.

Mas a verdade é outra! Queridos jovens, não viemos ao mundo para “vegetar”, para transcorrer comodamente os dias, para fazer da vida um sofá que nos adormeça; pelo contrário, viemos com outra finalidade, para deixar uma marca. É muito triste passar pela vida sem deixar uma marca. Mas, quando escolhemos a comodidade, confundindo felicidade com consumo, então o preço que pagamos é muito, mas muito caro: perdemos a liberdade.”

 

Agir

Toma uma decisão concreta a partir da oração que estás a fazer. Decide-te a mudar algo concreto. Escolhe algo que consigas fazer, ainda que com esforço e age em conformidade com a tua oração…

 

Orar

Agradece a Jesus este tempo com Ele. Reza ao Pai que te falou. E a Maria, mãe dos jovens. E oferece a Tua vida para aquilo que forem os planos de Deus. Dispõe o teu coração a fazer a Sua vontade. E termina a tua oração…

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ámen

Música: https://www.youtube.com/watch?v=25ijYltcAFU