Voluntariado com refugiados - Ragusa, Itália

Voluntariado com refugiados – Ragusa, Itália

Muita informação sobre a crise dos refugiados nos tem chegado através das mais variadas fontes. Muitas vezes nos perguntamos o que poderíamos fazer para ajudar, como poderíamos dar o nosso contributo para ajudar estas pessoas. E a verdade é que muito pode ser feito, tanto à distância como no terreno. Desde rezar a partir em missão, são muitas e variadas as formas de se colocar ao serviço, lembrando que “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.” (Mt 25, 40) .

Em baixo, encontra-se o testemunho de alguém que partiu em missão, como voluntária num campo de refugiados em Ragusa, Sicília (Itália).

“Chamo-me Carolina Basto, sou de Braga e sou psicóloga.

Convidaram-me para escrever o meu testemunho de uma experiência de voluntariado que fiz com os refugiados em Ragusa, Sicília (Itália) de 17 de setembro a 9 de outubro. O programa chama-se “At the Frontiers”, e está relacionado com a CVX europeia, que é um grupo de oração, partilha e missão, com base na espiritualidade inaciana. Vinham comigo mais doze companheiros de vários cantos da Europa (quatro Portugueses, dois espanhóis, duas italianas, uma alemã, uma inglesa a viver em Roma, uma polaca, uma peruana a estudar em Londres). E esta foi a minha comunidade, vivemos todos numa casa de jesuítas durante as 3 semanas, e partilhávamos tudo, desde as nossas experiências diariamente, às tarefas de casa, o descanso. O que foi bastante enriquecedor e uma forma de crescimento.

Relativamente à nossa atividade com os refugiados, foi importante conhecer os vários tipos de acolhimento realizado nas diversas etapas, nomeadamente a designação de Hotspot, isto é, locais de chegada, o mais mediático (chegada dos barcos), que poderão ser três (Lampedusa, Augusta, Pozallo). Na segunda fase, a documentação, são enviados para os CAS, isto é, centros de acolhimento de emergência, e o objetivo é estarem a resolver os assuntos burocráticos da documentação, e tem a duração de mais ou menos 4 meses. Por último existe os SPRAR, isto é, centro de acolhimento e de integração, e tem a duração de mais de um ano. São centros em que o objetivo é a inculturação na sociedade italiana, e resolução dos documentos finais, como cartão de cidadão, visto para poder sair do país, entre outros.

Deste modo, durante as três semanas fiquei dez dias num CAS chamado Borgo Crose, e uma semana num SPRAR, chamado Via Carducci e ainda participei num congresso realizado pelo MEDU (Organização que está na linha da frente ao acolhimento dos refugiados). Em relação aos centros, o Borgo Crose tinha sessenta e três elementos do sexo masculino, enquanto no Via Carducci tinha doze elementos do sexo masculino. Ambos tinham as idades compreendidas dos 18 aos 35 anos, e as nacionalidades eram da África Subsariana (Nigéria, Ghana, Costa do Marfim, Gambia, Senegal, entre outros).

Sendo que o principal objetivo era estabelecer uma relação positiva, empática e próxima com eles, mostrando um rosto “diferente” na Europa, preocupado pelo seu bem estar, com as suas dúvidas e sonhos. Foi importante apoiá-los nas aulas de italiano, jogar futebol (já que o Cristiano Ronaldo tornou-se numa boa ponte para a estabelecer uma relação com eles), jogar cartas, construir bancos, realizar quadros de madeira com frases, fazer pulseiras e fazer uma visita a um palácio.

Logo o mais importante é concretizar o apelo do papa Francisco que é “Construir pontes e não estabelecer muros”. É necessário conhecer a sua realidade, perceber que eles são uns sobreviventes e que a sua vida será sempre uma viagem com altos e baixos, como diz um deles: “Life is a Journey”. Devemos não ter medo da diferença e da universalidade pois podem melhorar a nossa vida constantemente. E por último, é importante ter em conta que eles são pessoas como cada um de nós, têm uma história, família e amigos, gostam de música, cinema, futebol, entre outras coisas. São pessoas normais, com coisas boas e limitações. E penso que isto é o mais importante a ter em conta, pois vivi essa realidade bastante de perto.

O que posso dizer para finalizar?  Que foi a experiência mais completa que fiz em toda a minha vida, e que teve um impacto bastante positivo na minha vida. E que o mais importante é sempre construir pontes e não estabelecer muros.”

Carolina Basto