Academia de Verão dos Jesuítas - Soutelo, Braga

Academia de Verão dos Jesuítas – Soutelo, Braga

Porque não basta sentir; é preciso saber.

É este o lema da Academia de verão. Com efeito, vivemos nos dias de hoje uma fé muito sentimental, vivida com grande emoção e intensidade. Isto é bom, muito bom. De facto, para amar a Deus não podemos guiar-nos apenas pela nossa cabeça e chegar à conclusão que “faz sentido” acreditar neste Deus, é importante sentir, é importante senti-Lo.

Mas e quando não O sentimos? Viver uma fé “sentimental” quando não conseguimos sentir Deus pode fazer com que entremos numa falta de esperança, julgando que Deus nos abandonou. Começamos a duvidar. E que fazer nessas alturas?

Nessas alturas, também chamadas “crises de fé”, devemos procurar aproximar-nos de Deus , estreitar a nossa relação com Ele, aproveitar para crescer através das dificuldades. Como?

Há várias formas, mas aquela que a Academia de verão nos propõe, não só para as crises de fé mas também para a vida quotidiana, é a de apostarmos numa fé esclarecida. Não admira, portanto, que um dos pilares desta atividade seja a “excelência no saber”. Sim, excelência. Não basta saber “mais ou menos” ou “ter umas ideias”, é preciso saber mesmo! Saber no que acreditamos, em Quem acreditamos. Saber quem foi e é este Homem que convictamente reconhecemos como o Filho de Deus, onde viveu, como viveu, o que nos ensinou. Através das palavras d’Ele próprio, dos que O antecederam e dos que O sucederam, podemos conhecer melhor este Deus.

Para isso, é necessário “disciplina no estudar”, outro dos pilares da Academia. É necessário perseverar nesta procura de Deus. Por vezes não será fácil, a informação será muita e por isso se revelará difícil saber por onde começar. Mas tenhamos a coragem de começar a “estudar”, de começar a nossa busca. Afinal, estamos a querer saber mais sobre Aquele que queremos que seja o centro das nossas vidas, não é sobre um assunto de menor importância!

Para tal, é necessária “competência no investigar”, 3.º pilar desta atividade. Devemos ser competentes na nossa busca, devemos saber procurar nos sítios certos e não perder o nosso foco, que é Cristo. A Bíblia revela-se assim como fonte primária de conhecimento sobre a fé, mas este conhecimento não se esgota na Bíblia. Temos o Catecismo da Igreja Católica, para jovens o Youcat e tantos outros livros escritos por teólogos, papas, santos e fiéis que, por suas palavras e testemunho, nos revelam Jesus e tornam mais clara a nossa fé.

Finalmente, o último pilar da Academia é “coerência no acreditar”. Posto tudo isto, chegamos à conclusão que, apesar de não bastar sentir e ser preciso saber, também não basta sentir e saber, é preciso viver. Como cristãos, somos chamados a viver segundo o exemplo de Jesus Cristo, pelo qual Deus se revela aos Homens em todo o seu Amor. A fé em Cristo envia-nos para o mundo, chama-nos a ser agentes transformadores, mensageiros do Amor de Deus. A fé que professamos pode e deve ser concretizada em obras de Amor. Só assim, cumprindo o Mandamento do Amor, caminhamos verdadeiramente para Ele.

Durante a Academia de verão, pude esclarecer um pouco mais a minha fé. Tomei consciência do que ainda há por saber, mas também obtive ânimo para esta procura. Aprendi que o Deus em que acredito se dá a conhecer e me estimula a querer conhecê-Lo. E conhecendo-O, sei que melhor poderei seguir o Seu exemplo e amá-Lo. Amando-O poderei também aprender a amar os outros. E amando-O a Ele e aos outros, encontrarei o sentido da minha vida.

António Lourenço
(Almeirim – Santarém)

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