Um Deus que se esconde?

Um Deus que se esconde?

Abre o teu coração à graça do nosso Deus de Amor e acolhe o que Ele te tem a mostrar.

Dirige-Te a uma das muitas igrejas que estão de portas abertas, onde se “Deus se refugia” da azáfama das ruas em época de Natal e leva a seguinte oração. Ele pode estar escondido mas está sempre presente.

Exame de consciência (retirado do GPS Vida cristã)

AGRADECER: Ponho-me em atitude de agradecimento. Reconheço que tudo me vem de Deus; eu próprio, a vida e tudo o que ela me traz. Tudo o que experimentei neste dia devo entendê-lo com Graça De Deus.

PEDIR LUZ: peço a luz de Deus para rever o meu dia com o Seu olhar: ver e aceitar tudo com Ele vê e aceita.

REVER: revejo o meu dia, recordando os tempos, lugares, pessoas e acontecimentos… Qual foi o tom geral? Como reagi ao que aconteceu de marcante? Que movimentos fortes me tomaram durante o dia: alegria, tristeza, paz, raiva…? Ligados a quê? Como respondi aos desafios e surpresas da vida? Onde é que Deus se fez presente e como é que Lhe respondi? Ver, reconhecer, recolher.

PEDIR PERDÃO: Tomo consciência do que ficou aquém do que desejo, o que podia ter sido melhor, onde a minha resposta foi pouco generosa ou determinada por motivações que não trazem paz nem felicidade. Peço a Deus perdão e ajuda para corrigir estas atitudes.

PROPOR: Disponho-me para o dia de amanhã com confiança e desejo de fazer melhor, dizendo sim àquilo a que Deus me desafia.

1. Tempo & História

 Do livro do Eclesiastes

Uma geração passa, outra vem; e a terra permanece sempre.

O Sol nasce e o Sol põe-se e visa o ponto donde volta a despontar.

O vento vai em direção ao sul, depois ruma ao norte;

e gira, torna a girar e passa,

e recomeça as suas idas e vindas.

Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche.

Para onde sempre correram, continuam os rios a correr.

Todas as palavras estão gastas, o homem não consegue já dizê-las.

A vista não se sacia com o que vê, nem o ouvido se contenta com o que ouve.

Aquilo que foi é aquilo que será;

aquilo que foi feito, há-de voltar a fazer-se:

e nada há de novo debaixo do Sol!

(Ecl 1: 4-9)

Silêncio

Reflexão/Meditação

Este Senhor de quem tantas vezes não é percebida a presença, está e é desde sempre e há de estar e ser ao longo dos tempos… Acompanha com carinho todos os momentos da história e todo o tempo, tempo esse maior do que aquele que alguma vez possamos imaginar. Por mais gerações que passem, por mais que possamos ver o nascer ou o pôr-do-sol em qualquer parte do mundo, qualquer que seja a direção do vento ou a imensidão das águas, Deus está, Deus é. Deus está muito para além daquilo que há memória. Ele, sim, tem na sua própria memória tudo o que há, tudo o que somos. E Deus está. Tao certo como o ar que respiramos, tão certo como a manhã que se levanta, está sempre, incondicionalmente. De facto, o nosso Pai não é só o Deus do tempo ou de um lugar, é também o Deus de uma Pessoa, capaz de entrar em contacto connosco e estabelecer uma relação de profundo Amor.

E nós apercebemo-nos disto ou passa ao lado?

Propósito/Oração

Senhor, de todo o tempo e de toda a história, que estiveste, estás e hás de estar, saibamos nós respeitar-Te no modo como vivemos o tempo que nos dás, saibamos nós respeitar-nos no tempo que nos concedes.

2. Beleza & Criação

 Do livro da Sabedoria

Sim, insensatos são todos aqueles homens

em que se instalou a ignorância de Deus

e que, a partir dos bens visíveis,

não foram capazes de descobrir aquele que é,

nem, considerando as obras, reconheceram o Artífice.

Antes foi o fogo, o vento ou o ar subtil,

a abóbada estrelada, ou a água impetuosa,

ou os luzeiros do céu que tomaram por deuses, governadores do mundo.

Se, fascinados pela sua beleza, os tomaram por deuses,

aprendam quão mais belo que tudo é o Senhor,

pois foi o próprio autor da beleza que os criou.

E se os impressionou a sua força e o seu poder,

compreendam quão mais poderoso é aquele que os criou,

pois na grandeza e na beleza das criaturas

se contempla, por analogia, o seu Criador.

(Sb 13: 1-5)

Silêncio

Reflexão/Meditação

Os elementos da natureza, a criação, as mais pequenas criaturas, dão-nos conhecimento do Artista, do Criador que é o Nosso Senhor. Seria uma insensatez não reconhecer Deus por detrás de tanta beleza, de quanta harmonia visível aos olhos de cada um.

Quantas vezes não demos já por nós a contemplar o céu estrelado, uma paisagem, uma flor, uma borboleta, um bebé, um casal de velhotes que passeia de mão dada…? Quantas vezes não sentimos já o agradável que é uma brisa suave ou sorrimos por ver um gesto bonito? Quantas vezes parecem acontecer coincidências que nos surpreendem? Esta contemplação faz-nos sentir confortados, tranquilos, faz-nos sentir bem e guardar a imagem, o perfume, o som no nosso coração. Mas há que perceber que esta beleza por si só é pouco, seria quase idolatria considerá-la como tal. Em que situações terás visto o belo, a beleza ao longo deste dia? Tens parado para a contemplar?

Propósito/Oração

Senhor da beleza, Deus Criador que tudo fizeste por nós e para nós, faz com que te reconheçamos a cada momento em cada uma das obras da Tua criação e sejamos jovens agradecidos por tudo o que embeleza a nossa vida.

3. Pobreza & Fragilidade

 Do Evangelho segundo S. Lucas

Tomando a palavra, Jesus respondeu:

«Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante.

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.’ Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»

Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»

(Lc 10:30-37)

 Silêncio

Reflexão/Meditação

Um homem agredido, maltratado, moribundo e largado sem dó à beira da estrada. A sua fragilidade exposta aos olhos de quem quisesse ver… mas parece que ninguém queria ver… Parecendo que não, não é agradável lidar com alguém que sofre, com alguém fragilizado e a aparentemente dependente do outro. Isto é uma história contada por Jesus, mas quantas vezes não somos confrontados com situações destas? Quantas pessoas há fragilizadas, abandonadas por aqueles que mais lhe eram queridos ou que simplesmente perderam tudo por causa da guerra de outros? Quantos sírios, centro-africanos, palestinianos, portugueses, escalabitanos não têm nas suas vidas uma extrema pobreza e um sofrimento atroz… Como será possível Deus estar no meio disto? O Deus que tudo pode, que tudo criou, estar neste homem à beira do caminho? Certo é que não só está, como é o remédio para cada um que sofre. Deus já veio, fez-se humilde, conhece bem as enfermidades de cada um e sabe bem como curá-las… Não podendo ser o pobre e frágil a visitar o Médico, é o Verdadeiro Médico quem vem em sua visita por própria iniciativa. Deus veio e vem na Sua humildade para que o homem O possa imitar, pois se tivesse permanecido inacessível, como poderíamos nós imitá-Lo? E, sem O imitar, como poderíamos nós ser curados? Veio na humildade porque sabia muito bem qual o remédio que devia receitar: um pouco amargo, por certo, mas eficaz. E tu? Continuas a duvidar d’Ele, de Quem te oferece a Sua taça, e murmuras: «Mas que Deus é este, Senhor? Nasceu, sofreu, foi coberto de escarros, coroado de espinhos, cravado numa cruz!». Seríamos então almas miseráveis que vemos a humildade do médico mas não o cancro do nosso orgulho. Ele fez da Sua morte o seu remédio, o nosso remédio, morreu mas ressuscitou.                   (adaptado de um texto de santo Agostinho)

Propósito/Oração

Senhor, que te mostraste rasgado, maltratado, a quem deram a beber vinagre quando tinhas sede, faz com que te reconheçamos no irmão que sofre e que nunca passemos ao seu lado indiferentes.

4. Coração dos Homens

Da 2ª carta de Pedro

O divino poder, ao dar-nos a conhecer aquele que nos chamou pela sua glória e pelo seu poder, concedeu-nos todas as coisas que contribuem para a vida e a piedade. Com elas, teve a bondade de nos dar também os mais preciosos e sublimes bens prometidos, a fim de que – por meio deles – vos torneis participantes da natureza divina, depois de vos livrardes da corrupção que a concupiscência gerou no mundo.

Por este motivo é que, da vossa parte, deveis pôr todo o empenho em juntar à vossa fé a virtude; à virtude o conhecimento; ao conhecimento a temperança; à temperança a paciência; à paciência a piedade; à piedade o amor aos irmãos; e ao amor aos irmãos a caridade. Se tiverdes estas virtudes e elas forem crescendo em vós, não ficareis inativos nem estéreis, relativamente ao conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. (2Pe 1:3-8)

Silêncio

Reflexão/Meditação

Chamarmo-nos participantes da natureza divina pode parecer um ato de egocentrismo. Na verdade, esta participação está relacionada com a realidade da graça de Deus, que nos cria e nos ama sobre tudo e nos concede os bens mais preciosos e sublimes. Tornamo-nos participantes da natureza divina porque o próprio Deus se fez Menino, Homem, para que este tão grande amor habitasse os nossos corações. Mas este Deus que vem nascer num estábulo que lhe concedemos quase que por especial favor, quer que sejamos puros de coração, quer-nos virtuosos, com fé, temperança, paciência, piedade. Quer que levemos este nosso encontro com Ele até aos irmãos, quer que lhes mostremos que eles próprios podem criar relação com Jesus. Quer que ponhamos em prática a caridade. Não uma caridadezinha mas um amor que se entrega em tudo, um amor comprometido com os irmãos, com a Igreja. Será que me sei comprometido?

Propósito/Oração

Senhor, que vieste confortar os corações atribulados e desinstalar os corações entorpecidos, faz de nós cristãos com corações puros, misericordiosos, comprometidos contigo e com a Tua Igreja.

Desafio:

Diante do Senhor que está diante de ti, entrega-Lhe esta oração e o que ela te faz sentir. Leva-te a assumir algum compromisso? Assume-o, escreve-o, leva-o avante! Descobre onde Ele se esconde…