Explica-me lá isso...

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INQUISIÇÃO

Outro dos temas bastante em voga nos grupos de amigos e/ou jovens é a Inquisição. Aqui ficam algumas dicas para que possas entender melhor de que se tratou.

A Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício foi criada no século XII como um tribunal interno da Igreja, mas a existência de várias heresias na Europa – que contrariavam algumas das verdades defendidas pelo catolicismo – fez com que alargasse o seu raio de acção a pedido de alguns reinos europeus, pois algumas das heresias existentes colocavam em causa importantes bases dos Estados.

No início, o Tribunal do Santo Ofício agiu, sobretudo, contra as heresias que deturpavam a imagem de Deus defendida pela Igreja. Mais tarde, passou a estar, também, atento às questões da feitiçaria, à vigilância sobre os cristãos-novos (judeus convertidos ao cristianismo) e ao avanço da Maçonaria, entre outros assuntos. A vigilância sobre estes grupos foi, também, solicitada por alguns dos reinos cristãos europeus, tendo levado, por exemplo, Portugal e Espanha a exigir à Igreja a constituição de Tribunais que eram, muitas das vezes utilizados para a resolução de questões políticas e para a eliminação de inimigos. Em Espanha esta questão tornou-se tão gritante que levou a Santa Sé a proibir a Inquisição espanhola.

Normalmente, o que mais nos choca quando nos referimos à Inquisição são os métodos usados, porém, eles não eram muito diferentes daqueles que eram utilizados por outros tribunais. A lógica do encarceramento dos criminosos não era ainda utilizada na generalidade, sendo habituais os castigos corporais e, como último recurso, a morte. No entanto, e apesar dos vários autos-de-fé que foram feitos, a Inquisição dava preferência a penas que se baseavam em lógicas religiosas, como o impedimento de receber os Sacramentos ou a garantia do perdão em troca da denúncia.

Mais uma vez, torna-se visível que a conjuntura da época e a pressão dos reinos cristãos europeus foram responsáveis pelo caminho percorrido pela Inquisição, tendo questões políticas e económicas tido um papel importante no processo.

Aqui ficam alguns livros com os quais podes saber mais sobre o assunto:

Balard, Michel; Genêt, Jean-Philippe e Rouche, Michel, A Idade Média no Ocidente: dos bárbaros ao Renascimento, Publicações Dom Quixote, 1994.

História de Portugal, João Medina (coord.), Volumes IV, VI e VII, Ediclube, 2004.

Ana Carina Azevedo

(A fotografia apresentada neste artigo representa uma sessão de julgamento da Inquisição)