Profissão Religiosa das Irmãs de S. José de Cluny

Profissão Religiosa das Irmãs de S. José de Cluny

No passado dia 8 de Setembro, foram ordenadas, em Torres Novas, três novas Irmãs na Congregação S. José de Cluny. Damo-vos a conhecer aqui o seu testemunho pessoal e vocacional.

 

“Eu sou a Irmã Elisângela da Santa Face Rosa da Silva, nasci a 10 de Janeiro de 1988, em Parapuã, uma das cidades do estado de São Paulo. Sou de uma família de fé cristã, mas que pouco participava nas atividades da Igreja devido às dificuldades de acesso aos transportes, o que não impediu que mantivesse a fé viva no seio da minha família. Tenho duas irmãs, sendo eu a terceira filha. Os primeiros reflexos da minha tão bela vocação começaram a surgir aos 21 anos de idade, no meu íntimo e também através de mediações humanas que o Senhor me ia colocando secretamente no caminho.

Como todas as jovens, sonhava em ter uma família estável, ter um bom esposo, isto era para mim o normal, por isso não dei a devida importância a este apelo, deixando que outras coisas ocupassem o seu lugar.

Como membro activo na minha paróquia, participava em alguns movimentos pastorais, era uma forma de ser ativa na Igreja e servir o Senhor, mas com os meus próprios passos e condições, ou seja, naquilo que me interessava. Contudo sentia que faltava algo mais, não era o suficiente e a ideia de ser Irmã começava a voltar suavemente por volta dos 23 anos, fazendo com que eu sentisse algo muito estranho dentro de mim, até sentir-me como que sufocada. Ouvia no meu interior uma frase de Jesus: «Vem e segue-me». Um certo dia, estava numa missa; ouvi o testemunho de uma Religiosa, que me deixou muito mais angustiada com aquele apelo e comecei a chorar muito sem entender nada. Foi difícil aceitar e entender o que o Senhor queria exatamente de mim, não me sentia capaz de ser uma Religiosa pois eu tinha pessoas muito especiais, que tinham um dom sobrenatural quase que impossível para mim e também por não perceber nada da vida religiosa. Eram vários motivos que me levaram para o negativo, para a fuga, eu fugia mesmo da minha vocação, quando via as Irmãs da minha paróquia fugia delas. Depois vieram as mediações humanas a dizer para eu ser freira, eu não queria, não estava a aceitar tudo aquilo. Mas o Senhor estava por perto a agir pacientemente esperando o meu tempo. Eu desejava seguir Jesus mas não queria grandes compromissos, sentia medo e angustia, gostava de servi-Lo de alguma forma de fazer missões pelo meu país a conhecer a realidade das pessoas mais pobres e abandonadas, até um orfanato pensava em ter para tirar as crianças das ruas e cuidar delas, não sei como iria realizá-lo, mas era como um projeto de vida.

Durante os meus 24 e 25 anos estive acomodada e tive alguns namoros rápidos, que não avançaram graças a Deus, mas que contribuíram para o meu discernimento vocacional. Finalmente aos 25 anos comecei a questionar-me entre o matrimônio e vida religiosa, a refletir sobre o que mais me atraia interiormente, percebendo que falava muito mais forte a vocação consagrada, mas ainda não me deixei vencer por ela pois queria ter certeza e sinais do céu para poder responder com segurança o que não veio a acontecer. Com a ajuda de um amigo resolvi entrar num movimento conhecido: O da Santa Escravidão de Luís Maria Grignion de Monfort, na busca de servir o Senhor e viver com algumas parecenças de Irmã sem pertencer a nenhuma congregação. Fazia as minhas orações e participava diariamente na Eucaristia e reconciliação mensal.

Ao longo desta caminhada neste movimento, o Padre da minha paróquia questionava-me sobre o que eu queria realmente viver e animava a minha vocação como um intermediário de Deus à espera da minha decisão. Vi-me sozinha sem saber. Continuava a caminhar e cada vez sentia mais forte o chamamento e muito mais angustiada, procurava encontrar em livros todas as congregações, na esperança de entrar numa. Comecei a rezar pedindo ajuda ao Senhor, foi então que depois de alguns meses apareceu na minha vida um senhor de nome Osvaldo Festa, grande amigo das Irmãs, que pertencia à pastoral vocacional da minha paróquia, ele levou-me à Congregação que até então desconhecia, decidi arriscar com muito medo de não dar em nada e me magoar ainda mais; comecei a caminhada vocacional com todas as dificuldades dos primeiros passos e, no dia 11 de Fevereiro de 2015, com muito discernimento comecei o Aspirantado. Deus confirmava o seu chamamento mas era ainda tudo muito vago. Foram 6 meses de Aspirantado. A seguir entrei no Postulantado a 6 de Agosto de 2015 sendo transferida para o Estado de Minas Gerais. Foi a minha primeira separação da minha família. Avançando em frente pedi a Admissão ao Noviciado que veio a ser em Portugal onde percebi, que seguir o Senhor exige muita força de vontade, renúncia de tudo o que tinha como meu. Sonhos e ilusões, país e família.

No dia 8 de Setembro de 2016 finalmente entrei no Noviciado confiante no chamamento e foram 2 anos de grande graça e realizações com o conhecimento das minhas fraquezas e a certeza do Amor Misericordioso do Pai que confirmava a Vocação. Com todas as maravilhas que Deus realizou em mim respeitando o meu tempo e espaço como sua filha amada, hoje digo-Lhe o meu SIM dando tudo o que sou e tenho. 

Fazer votos é abrir caminho para viver a realidade da vocação deixando-me ser conduzida por Jesus numa oferta da minha vida com tudo o que sou, e que d’Ele recebi, confiando-Lhe o cuidado da minha vocação. Ser oferta diária para com toda a sua Igreja e Missão.”   

Irmã Elisângela da Santa Face Rosa da Sillva 

Congregação das Irmãs de S. José de Cluny

 

“O meu nome é Irmã Eva da Esperança Jonas, nasci no dia 20 de Junho de 1994 em Furancungo – Macanga, Província de Tete – Moçambique, numa família cristã. Os meus pais desde pequena lavavam-me à Igreja, onde em Moçambique, quando nasci, as crianças participavam na Missa mesmo à frente do altar. 

Nasci numa família de 8 irmãos, atualmente somos 6 Irmãos, eu sou a quarta filha do casal Abílio Jonas e de Maria Betânia Narcisio.  

Fui batizada no dia 25 de Setembro de 1994 na Paróquia de Chilitse – Furancungo. Fiz a Primeira Comunhão no dia 25 de Abril de 2009 na Paróquia de Cristo Rei – Furancungo – Macanga e fui Crismada no dia 30 de Dezembro de 2012 na Paróquia de S. Francisco Xavier da Missão de Lifidzi – Angónia. 

Fui sempre dançarina na paróquia de Cristo Rei, fazia parte de um grupo de crianças e adolescentes que animava a Eucaristia através da dança e fui participando no grupo de jovens. Dentro dessas ocupações senti o apelo do Senhor, que me chamou à vida religiosa, ao serviço dos Irmãos. 

Comecei a fazer parte no grupo vocacional da minha paróquia, onde tive oportunidade de conhecer algumas Congregações Religiosas e os seus carismas. No entanto, na altura eu não ligava muito ou não me interessava muito por ouvir ou conhecer os carismas das Congregações. Queria ser freira porque para mim tudo era bom, só queria servir a Jesus por este caminho. Observava qual delas tinha o hábito bonito, para eu um dia vestir, que se identificasse com a minha linda vocação. 

As Irmãs de S José de Cluny, eram uma das que iam aos nossos encontros vocacionais. Uma Irmã muito simples falava connosco e eu gostava da sua simplicidade e da sua maneira de ser. Pensava que se um dia fosse freira seria como ela. Não conhecia o nome da sua Congregação, apenas sabia que vivia em Lifidzi. Por esse motivo acabei por responder ao convite do Senhor na Congregação das Irmãs de S. José de Cluny. 

No dia 13 de Janeiro de 2013 iniciei o Aspirantado na Missão de Lifidzi – Angónia, só a partir daqui é que comecei a conhecer melhor a Congregação e as obras da nossa fundadora. Durante esses anos de Aspirantado, fui tomando maior consciência de que o chamamento de Deus para mim era a vida religiosa. Foi também durante estes anos em que vivi a experiência de luta interior, pois comecei a desejar casar e ter filhos e sentia muita dificuldade em escutar o Senhor e perceber qual o verdadeiro caminho a que Ele me chamava. Fui crescendo e amadurecendo a minha decisão até que decidi dar mais um passo na minha formação. 

No dia 19 de Março entrei no Postulantado em Maputo. Foi o momento de interiorizar melhor a espiritualidade de Ana Maria e de conhecer um pouco melhor o nosso carisma. Terminei esta etapa de formação em Alcobaça – Portugal com a entrada no Noviciado, a 8 de Setembro de 2016, em Torres Novas.  

O Noviciado durou dois anos, o primeiro ano foi para mim o momento em que eu experimentei viver em ambiente de recolhimento e em clima de oração, confiança, paz interior, abertura e alegria. Aprofundei também as exigências da vida religiosa. 

Depois de 17 meses de uma formação contínua no Noviciado, fui fazer o meu estágio em Alcobaça, onde fui progressivamente experimentando viver a unidade de vida. Aprendi a encontrar Deus em todos os momentos, na oração e silêncio bem como no trabalho, segundo a Vontade de Deus. No dia a dia fui fazendo a experiência de vida fraterna na partilha e de vida apostólica nas atividades quotidianas. Este estágio durou 3 meses. 

Nos últimos meses do meu Noviciado voltamos para a casa de Formação, onde a minha Mestra me fez relembrar muito do que já tinha aprendido e principalmente ajudou-me a compreender melhor a importância do compromisso para que estava a preparar-me para assumir livremente no dia da minha primeira Profissão Religiosa. 

Terminei o noviciado no dia 8 de Setembro de 2018 e dei o meu Sim a Deus, entregando-me livremente ao serviço da Igreja, na Congregação. 

O que é para mim a Profissão Religiosa? Professar é entregar-me totalmente a Deus, renunciando a tudo o que tenho, principalmente à minha vontade para procurar unicamente fazer a Vontade de Deus. É a minha resposta diária ao Seu amor incessante e fidelíssimo. Os conselhos evangélicos de obediência, castidade e pobreza, que professo, são os meios que me unem mais intimamente a Cristo no seu Mistério de Amor.” 

Irmã Eva da Esperança Jonas

Congregação das Irmãs de S. José de Cluny

 

“É com muita alegria que partilho convosco um pouco da minha história. Chamo-me Irmã Lúcia Nunes Lucas, natural dos Casais – Tomar, de uma família católica praticante. Desde o berço ia à missa ao domingo e frequentei todo o percurso normal de catequese. 

Em 2008 um ano de muitas mudanças, tive a graça de tirar a carta, começar o curso, receber o Sacramento da Confirmação e de fazer o meu Convívio Fraterno, o CF 1088. Por volta de 2010, outra época muito especial, acabei o curso de Gestão e Administração dos Serviços de Saúde, fui trabalhar numa Clínica em Lisboa, e num dia em oração, o Senhor soube tocar-me, deixar-me tão tranquila… e em paz. ENCONTRADA, por Ele… por Jesus Cristo. Encontrámo-nos por uns minutos, Ele e Eu …  

Não me esqueço da minha atitude nesse dia, de inteira disponibilidade à escuta, queria mesmo saber o que Deus queria de mim, fosse bom ou menos bom. Para que é que me criaste, Senhor? 

Jesus muito deve ter-se rido de mim, procurei-O na Catequese, nos Acólitos, no Grupo de Jovens, nos Convívios Fraternos e até mesmo na Missa, parecia que não estava. Tudo isso foi certamente um caminho importante de aproximação, de abertura ao divino… mas não O via, pois não O Procurava e logo não O Encontrava dentro de mim, em mim… 

Há três sensações diferentes neste PEDIDO de Jesus, O saber-me e sentir-me muito Amada. Mas ser amada exige de Mim uma resposta, que é o Serviço a Deus, nos irmãos e mais concretamente: “ser freira”!? 

À ideia de ser freira, fugi como Jonas, pois sonhava casar, ter filhos… mas Deus vai mostrando o Caminho ao mesmo tempo que respeita a nossa liberdade… a verdade é que parecia que as religiosas me perseguiam… apareciam em todo o lado! 

Alguns anos passaram e eu continuava a lutar contra Deus, enquanto aumentava a dúvida, será que não estou a fazer a Vontade de Deus? Vivia muito angustiada, chorava bastante e à Confissão levava o achar que não estava a fazer a Vontade de Deus, mas só em 2013 consegui expressar o porquê. 

Nesse mesmo ano no Fé4Missão na Junceira e Olalhas pedi ajuda ao Sacerdote, que me apresentou às Irmãs de São José de ClunyIniciei uma caminhada, de várias etapas de discernimento da minha vocação e do conhecimento da Congregação. A primeira etapa, o Aspirantado, fi-lo, com outra colega, com encontros mensais com a Mestra. A 1 de Novembro de 2014 iniciei o Postulantado em S. Sebastião da Pedreira em Lisboa, onde progressivamente fui vivendo em Comunidade e deixado o emprego. No ano seguinte após uma breve passagem pela Ilha da Madeira numa das nossas Comunidades e da participação no Encontro dos Jovens Consagrados com o Papa por ocasião do ano da Vida Consagrada, fui enviada para a nossa Comunidade em Alcobaça.  

8 de Setembro de 2016, eu, a Eva (Moçambicana), a Elisângela (Brasileira) e as Mestras, a Irmã Almerinda e a Irmã Paula, iniciamos o Noviciado, este tempo de aprofundamento da vocação e do conhecimento da nossa Congregação, da Fundadora, da Espiritualidade, da Missão… num clima de Oração, para escutar melhor aquilo a que Deus nos chama em Jesus Cristo e assim poder livremente e mais conscientemente dar a minha resposta.  

No Noviciado fui aprendendo o sentido desta radicalidade da consagração batismal, de deixar tudo e seguir Jesus Cristo, em Obediência, Castidade e Pobreza. Porque Ele nos Ama e quer que aprendamos diariamente a amá-Lo cada vez mais e aos Irmãos, começando pelas Irmãs que vivem connosco, que são quase santas, mas ainda não o são, como nós, estão a caminho. Temos as nossas divergências como toda a família que se preze. Mas procuramos manter-nos unidas, em Comunhão umas com as outras centrando-nos em Jesus Cristo, que a todas, nos ama e nos chama. 

Todos nós somos chamados à Santidade, vivendo cada um, a Vocação a que é chamado. Eu, sentindo-me chamada à Vida Religiosa, só posso ser santa assumindo esta vocação, procurando viver nela, cada vez melhor o Amor e no Amor, que Jesus nos mostra do Pai misericordioso e compassivo. 

Agora, dois anos depois, chegou a hora de dar mais um passo, o da Primeira Profissão Religiosa, isto é, diante de toda a Igreja, na Congregação das Irmãs de S. José de Cluny assumir livremente a minha resposta ao Seu chamamento de Amor por mim e pela humanidade. Procurar continuamente abrir-me ao Espírito Santo para fazer diariamente a Vontade de Deus, confiando que o Amor de Deus pode tudo e pode tudo em mim, para “servir à celebração da Glória de Deus” e para a “Salvação das almas”. 

 

Irmã Lúcia Nunes Lucas 

Congregação das Irmãs de S. José de Cluny