Passo a Passo - Chegamos à Santidade

Passo a Passo – Chegamos à Santidade

BÊNÇÃO E ENVIO DOS PEREGRINOS
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

Leitura da Primeira Carta do Apóstolo São Pedro (1,13-21)
Irmãos, de ânimo preparado para servir e vivendo com sobriedade, ponde a vossa esperança na dádiva que vos vai ser concedida com a manifestação de Jesus Cristo. 14Como filhos obedientes, não vos conformeis com os antigos desejos do tempo da vossa ignorância; 15mas, assim como é santo aquele que vos chamou, sede santos, vós também, em todo o vosso proceder, 16conforme diz a Escritura: Sede santos, porque Eu sou santo. 17E, se invocais como Pai aquele que, sem parcialidade, julga cada um consoante as suas obras, comportai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação; 18sabendo que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, prata ou ouro, 19mas pelo sangue precioso de Cristo, qual cordeiro sem defeito nem mancha, 20predestinado já antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por causa de vós; 21vós, que por meio dele tendes a fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e o glorificou, a fim de que a vossa fé e a vossa esperança estejam postas em Deus.
Palavra do Senhor.

PRECES
Invoquemos a Deus, que é o princípio e o fim da nossa peregrinação humana, dizendo confiadamente:
R. Acompanhai-nos, Senhor, nos nossos caminhos.

Pai santo, que outrora fostes guia e caminho para o vosso povo peregrino no deserto, concedei-nos a vossa protecção ao começarmos esta viagem, para que, superando todos os perigos, regressemos felizmente aos nossos lares. Oremos irmãos.

Pai santo, que nos enviastes o vosso Filho Unigénito como o caminho para chegarmos até Vós, fazei que O sigamos com fidelidade e perseverança. Oremos irmãos.

Pai santo, que nos destes a Virgem Santa Maria como imagem e exemplo do seguimento de Cristo, fazei que, fixando sempre nela o nosso olhar, vivamos fielmente a vida nova da santidade. Oremos irmãos.

Pai santo, que, pelo Espírito Santo, conduzis para Vós a Igreja, peregrina sobre a terra, fazei que, buscando-Vos acima de todas as coisas, corramos alegremente pelo caminho dos vossos mandamentos. Oremos irmãos.

Pai santo, que nos chamais para Vós pelos caminhos da justiça e da paz, concedei que um dia Vos contemplemos na pátria eterna. Oremos irmãos.

Pai santo, que nos chamais em cada dia à santidade, olhai com bondade para estes peregrinos, para que no meio das suas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, aspirem sempre às coisas do alto. Oremos irmãos.

Todos: Pai de bondade, começo esta peregrinação agradecido/a pela vida que me dás e a oportunidade de estar aqui. Ajuda-me a ter-Te sempre presente como meu companheiro de caminho. Que cada um dos meus passos seja dado na direcção da tua vontade. Ofereço-Te as alegrias e as dificuldades desta peregrinação. Cheio de confiança, ponho cada dia nas tuas mãos, pedindo a tua protecção e o teu amor, em cada momento.

PAI-NOSSO

ORAÇÃO DE BÊNÇÃO
Deus omnipotente, que concedeis sempre a vossa misericórdia aos que Vos amam e em nenhum lugar estais longe dos que Vos procuram, assisti aos vossos servos nesta piedosa peregrinação e dirigi os seus caminhos segundo a vossa vontade, para que, defendidos de dia com a vossa presença protectora e iluminados de noite com a luz da vossa graça, Vos tenham como companheiro da sua viagem e cheguem felizmente ao lugar do seu destino. Por Nosso Senhor.

CONCLUSÃO
O Senhor nos acompanhe, nos livre de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Ámen. Bendigamos ao Senhor.
Graças a Deus.

Oração do Rosário e Exame de Consciência

Oração do Rosário

Como rezar?
Inicia com o sinal da Cruz. Enuncia o mistério e lê a passagem bíblica. Podes fazer uma oração espontânea (pedido, agradecimento). Reza o Pai-Nosso e as dez Avé-Maria. No fim reza o “Glória ao Pai”; “Ó Maria, concebida sem pecado”; e “Ó meu Jesus”. Pode haver um cântico no final. No fim dos 5 mistérios apresenta as tuas intenções (Papa, paz, etc.) e reza as últimas três Avé-Maria. Depoia reza a “Salve, Rainha” e/ou a “Consagração a Nossa Senhora”. Termina com o sinal da Cruz.

Mistérios Gozosos (da alegria): segundas e sábados.
1º Mistério: A anunciação do Anjo a Maria de Nazaré.
O anjo disse: “Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus”. Maria respondeu: “Eis aqui a Escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra”.
2º Mistério: A visitação de Maria a prima Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E disse-lhe: “Feliz de ti, porque acreditaste que havia de cumprir-se o que o Senhor te disse!”
3º Mistério: O nascimento de Jesus.
Quando se encontravam [em Belém], completaram-se os dias de [Maria] dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria.
4º Mistério: A apresentação de Jesus no templo.
Quando se cumpriu o tempo da purificação, segundo a Lei de Moisés, [Maria e José] levaram Jesus a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor.
5º Mistério: A perda e o encontro de Jesus no templo.
Ao vê-lo, ficaram assombrados e Sua mãe disse-lhe: “Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!” Ele respondeu-lhes: “Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?”.

Mistérios Dolorosos (da dor): terças e sextas.
1º Mistério: A oração e agonia de Jesus no jardim das oliveiras.
Jesus começou a orar, dizendo: “Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade mas a tua!”
2º Mistério: A flagelação de Jesus.
Pilatos mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: “Estou inocente deste sangue. Isso é convosco”. Soltou-lhes Barrabás. Quanto a Jesus, depois de o mandar flagelar, entregou-o para ser crucificado.
3º Mistério: A coroação de espinhos.
Os soldados revestiram Jesus com um manto de púrpura e puseram-lhe uma coroa de espinhos na cabeça, e diziam: “Salve, ó rei dos judeus!”
4º Mistério: Jesus carrega a cruz.
Levaram Jesus para o crucificar. Para lhe levar a cruz requisitaram um tal de Simão de Cirene.
5º Mistério: Jesus morre na cruz.
Dando um forte grito, Jesus exclamou: “Pai, nas tuas mãos entregou o meu espírito.” Dito isto, expirou.

Mistérios Gloriosos (da glória): quartas e domingos.
1º Mistério: A ressurreição de Jesus.
“Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou, não está aqui!
2º Mistério: A ascensão de Jesus ao céu.
“Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Esse Jesus que vos foi arrebatado para o céu, virá do mesmo modo, como agora o vistes partir para o céu!”
3º Mistério: A vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos e Nossa Senhora.
Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo. Todos ficaram cheios do Espírito Santo.
4º Mistério: A assunção de Nossa Senhora ao céu.
Maria disse: “A minha alma glorifica o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas.”
5º Mistério: A coroação de Nossa Senhora como Rainha do céu e da terra.
Apareceu no céu um sinal grandioso: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.

Mistérios Luminosos (da luz): quintas-feiras.
1º Mistério: O batismo de Jesus.
Depois de Jesus ser batizado, desceu o Espírito desceu sobre Ele como uma pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu filho muito amado, em ti pus todo o meu agrado.”
2º Mistério: A revelação de Jesus nas bodas de Canaã.
A mãe de Jesus disse-lhe: “Não têm vinho!” Jesus respondeu: “Ainda não chegou a minha hora.” Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”
3º Mistério: O anúncio do Reino de Deus e o apelo à conversão.
Jesus começou a dizer: “O Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho”.
4º Mistério: A Transfiguração de Jesus.
Jesus transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes ficaram brancas como a luz. E uma voz dizia da nuvem: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o.”
5º Mistério: A última ceia e a instituição da Eucaristia.
O Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de Mim.” Do mesmo modo, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto sempre que o beberdes, em memória de mim”. Porque, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Ámen.

Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, Levai as almas todas para o céu, principalmente as que mais precisarem.

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura, e esperança nossa, salve.
A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva,
a Vós suspiramos, gemendo e chorando,
neste vale de lágrimas.
Eia, pois, Advogada nossa,
esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro,
Nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.
Rogai por nós, santa Mãe de Deus,
Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Cristo. Ámen.
Consagração a Nossa Senhora
Ó Senhora minha, ó minha Mãe,
eu me ofereço todo(a) a vós,
e em prova da minha devoção para convosco,
Vos consagro neste dia e para sempre,
os meus olhos, os meus ouvidos,
a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser.
E porque assim sou vosso(a),
ó incomparável Mãe,
guardai-me e defendei-me como propriedade vossa.
Lembrai-vos que vos pertenço, terna Mãe, Senhora nossa.
Ah, guardai-me e defendei-me como coisa própria vossa.

EXAME DE CONSCIÊNCIA (“5 dedos”)

Dedica uns minutos, antes de adormeceres, a rever o teu dia de caminho, a partir deste esquema.
1. Agradecer: Ponho-me em atitude de agradecimento. Reconheço que tudo me vem de Deus: a minha vida, o caminho de hoje, a beleza da criação, as paisagens, as pessoas que encontrei, as surpresas! O que mais encheu o meu coração da presença de Deus? Conto-as a Deus, uma a uma. E agradeço.
2. Pedir luz: Peço a luz de Deus, do seu Espírito Santo, para rever o meu dia de caminho com Jesus. olhar tudo e aceitar tudo, como Ele vê e aceita.
3. Rever: Revejo o meu dia, recordando os tempos, desde que me levantei, até agora: os lugares por onde passei, as pessoas, as conversas, os imprevistos… qual foi o tom geral do meu dia? Ânimo, alegria, entusiasmo, entreajuda? Ou crítica, sofrimento, egoísmo, irritação? O que tomou mais conta do meu coração? E porquê? Onde é que Deus, como companheiro de caminho, se foi tornando presente e como é que lhe respondi?
4. Pedir perdão: Tomo consciência do que ficou aquém dos propósitos e atitudes de um bom peregrino: despojamento, simplicidade, ajuda, partilha. Peço perdão onde a minha resposta foi distraída ou egoísta, motivada por coisas que não me trazem paz nem felicidade. Peço a Deus perdão e ajuda para corrigir essas atitudes.
5. Propor: Disponho-me para o dia de amanhã com um ânimo e confiança ainda maiores! Concretamente a que é que Deus me desafia para amanhã? Que gestos ou atitudes devo pôr em prática?
Terminar com um Pai-nosso.

Passo 1 – Os padroeiros

São Francisco Xavier nasceu em 7 de abril de 1506, em Navarra, perto de Pamplona. Era o mais novo de cinco filhos, de uma família ilustre. Com 19 anos, foi estudar para a Universidade de Paris, habitando o Colégio Português de Santa Bárbara, custeado pelo Rei D. João III. Aí conheceu Inácio de Loiola e outros colegas, que fundaram mais tarde a Companhia de Jesus, uma ordem religiosa ao serviço do Papa.
Francisco Xavier foi enviado para a Índia, saindo de Lisboa em 1541, no dia em que fazia 35 anos. Durante dez anos, ensinou a religião cristã na Índia, em Malaca, nas Ilhas Molucas, na Indonésia e no Japão. Pretendia chegar ao Império da China, quando morreu, esgotado de tanto andar e pregar o Evangelho, em 1552, com 46 anos de idade. São Francisco Xavier morre a 3 de dezembro de 1552, numa humilde esteira de vimes, abraçado ao crucifixo que o velho amigo Inácio de Loyola, um dia, lhe tinha oferecido.
Ao todo, andando a pé e de barco, fez nesses 11 anos de missionação, um percurso que equivale, em linha reta, duas vezes e meia a volta à terra. Para falar sobre Jesus e a doutrina cristã, era destemido e ousado ao máximo, com uma confiança absoluta em Deus. Andou por meio de povos que nunca tinham visto um europeu, alguns deles antropófagos, falando línguas que ninguém sabia sequer que existiam. É um gigante da história da Igreja.
O seu corpo contínuo incorrupto (sem nenhum tratamento), ao fim de mais de 450 anos, na Basílica do Bom Jesus, em Goa, onde a sua personalidade e santidade continuam a atrair peregrinos do mundo inteiro, mesmo sem serem cristãos.
Sempre disse e escreveu que era “navarro de nascimento, mas português de coração”. A maior parte dos seus escritos é em língua portuguesa. Nas suas cartas, diz frequentemente que, sem os barcos portugueses e sem o apoio do Rei de Portugal, nunca poderia ter feito nada do que conseguiu fazer no Oriente. Também por isso, São Francisco Xavier figura no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa.

Tarefa: Fazer a memória dos santos da tua vida: identificar os santos que mais admiramos. Sejam eles os santos que a Igreja nos propõe como exemplos nos altares, sejam os santos da nossa família. Contar a história deles, ou pelo menos partilhar porque os admiramos. Quem não traz os filhos pode partilhar com outro peregrino.

Luiza Andaluz nasceu a 12 de fevereiro de 1877, filha de pais profundamente cristãos, que a educam no amor e altruísmo pelos outros. Era visita assídua o Cardeal D. José Neto que da pequena Luiza terá dito que “nunca tinha visto tamanha fé numa criança”. Aos 14 anos o Cardeal pede-lhe que ajude uma comunidade de contemplativas Capuchas numa obra social para crianças.
Vivem-se momentos de grande hostilidade à Igreja e, sobretudo, às ordens religiosas, muitas das quais são expulsas aquando da Revolução de 1910. Nessa altura, Luiza Andaluz torna-se uma das principais dinamizadoras e responsáveis pela criação de escolas e oficinas de trabalho um pouco por toda a parte.
Com 38 anos sente que Deus a chama para a vida religiosa, como carmelita. Em 1915, sente que a vontade de Deus lhe aponta um novo caminho: fundar uma Congregação Religiosa que viva intensamente duas coordenadas: o desejo de se dedicar à vida contemplativa e a necessidade de uma resposta apostólica aos novos tempos. Anima as suas companheiras que também sentem dentro de si a necessidade de se dedicar totalmente por Deus e pelo Seu Reino, e a 15 de outubro de 1923 inicia-se a vida fraterna na sua casa em Santarém (hoje Casa Mãe da Congregação).
Luiza Andaluz foi mulher de Igreja, mulher de audácia e de coragem porque animada de uma profunda fé e confiança em Deus. Alicerçou a sua vida na “rocha” que é Jesus e, por isso não vacilou. Foi uma mulher feliz! A 20 de agosto de 1973, com 96 anos nasce para o Céu na casa geral em Lisboa, junto à igreja de São Mamede. O Papa Francisco, em 19 de dezembro último, reconheceu as suas virtudes heróicas e declarou-a venerável e exemplo de vida cristã reconhecido pela Igreja.
A congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima está hoje presente em sete países – Portugal, Bélgica, Luxemburgo, Brasil, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique – e nasceu da necessidade de uma resposta da Igreja, na época. O “carisma sacerdotal mariano” da congregação tem a vertente da vivência do mistério da Encarnação na vida quotidiana do dia-a-dia. Por isso, as religiosas não usam hábito, porque na altura da fundação não podiam tê-lo e depois mais tarde não fazia sentido passar a ter, por causa da sua inserção na vida da sociedade.

Passo 2

2Cor 4,7-18: 7Trazemos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso. 8Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; 9perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados. 10Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo. 11Estando ainda vivos, estamos continuamente expostos à morte por causa de Jesus, para que a vida de Jesus seja manifesta também na nossa carne mortal. 12Assim, em nós opera a morte, e em vós a vida. 13Animados do mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: Acreditei e por isso falei, também nós acreditamos e por isso falamos, 14sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, também nos há-de ressuscitar com Jesus, e nos fará comparecer diante dele junto de vós. 15E tudo isto faço por vós, para que a graça, multiplicando-se na comunidade, faça aumentar a acção de graças, para a glória de Deus. 16Por isso, não desfalecemos, e mesmo se, em nós, o homem exterior vai caminhando para a ruína, o homem interior renova-se, dia após dia. 17Com efeito, a nossa momentânea e leve tribulação proporciona-nos um peso eterno de glória, além de toda e qualquer medida. 18Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas.

A minha bagagem será ligeira, para poder avançar rapidamente. Terei de deixar para trás a carga inútil: as dúvidas que paralisam e não me deixam avançar. Os medos que me impedem de saltar para o vazio Contigo. As coisas que me dão conforto e segurança. Tenho que deixar para trás de mim o espelho de mim mesmo, o “eu” como os únicos óculos, a minha palavra ruidosa. E levarei tudo aquilo que não pesa: muitos nomes com a sua história, mil rostos que recordo, a vida no horizonte, projectos para o Caminho. Valor se Tu mo dás, amor que cura e não exige. Tu, como guia e mestre, e uma oração que Te faça presente: «A Ti, Senhor, levanto a minha alma, em Ti confio, não me deixes. Mostra-me o teu caminho. Olha o meu esforço. Perdoa as minhas faltas. Ilumina a minha vida, porque espero em Ti».
(A minha bagagem por José Maria R. Olaizola)

Tarefa: Na correria da vida facilmente esquecemos as coisas e as pessoas importantes. E quando damos por isso pode ser tarde demais. Faz um ponto de situação da tua vida. O que trouxeste contigo na mochila do teu coração? Chama as coisas pelos nomes. Identifica o que te preocupa, os medos, as asneiras que tens cometido, etc. No silêncio coloca tudo isso nas mãos de Deus.

Passar fazendo o bem à imitação do Mestre Divino, tornar felizes os que nos rodeiam, que doce programa de vida! (Luísa Andaluz)

Engana-se completamente quem põe de lado Deus, o autor, a origem de todo o bem, para firmar as suas esperanças nos homens!
(Francisco Xavier)

Passo 3

Mt 13,44-46: 44«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo.
45O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. 46Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.»

Mc 13,33-37: 33«Tomai cuidado, vigiai, pois não sabeis quando chegará esse momento. 34É como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, delegou a autoridade nos seus servos, atribuiu a cada um a sua tarefa e ordenou ao porteiro que vigiasse.
35Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar o galo, se de manhãzinha; 36não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 37O que vos digo a vós, digo a todos: vigiai!»

Tarefa: Depois de fazer o ponto de situação da tua vida convido-te agora a examinar as tuas motivações e convicções com que fazes as coisas do teu dia-a-dia. Serão as mais acertadas? Ou nem sequer existem e andas apenas a deixar que o tempo passe? Lembra-te daquilo que te levou ao matrimónio, à paternidade e maternidade, ou à vida consagrada a Deus.
O que te rouba a motivação?
Fazer as coisas certas pelas motivações erradas fecha-te no egoísmo ou leva-te ao pecado. Sem motivação podes cair na depressão ou desespero.
Qual é o teu tesouro? Ou seja, o que dá valor à tua vida? Qual é aquela coisa sem a qual a tua vida não seria a mesma coisa ou nem faria sentido?

A seguir tens um esquema que te pode ajudar a rezar. Não só na peregrinação mas também no futuro. Meditar um texto bíblico não é tecer considerações sobre ele. É, antes de mais, escutar e saborear a palavra escutada e perceber quais são os pontos de contacto com a vida.

PASSOS DA ORAÇÃO

Antes de mais nada, toma um tempo para “aquecer o coração”, lembra-te diante de quem estás. A oração é sobretudo um encontro com Deus que te fala ao coração. Não faças da oração um mero tempo de introspecção mas de confronto e diálogo. Não coloques limites à criatividade de Deus. Abre-te ao que Ele te quiser dizer.

Antes da Oração
Escolho:
LOCAL – onde me sinta confortável, seguro e em paz.
TEMPO – a altura do dia e a duração da minha oração. Procuro ser fiel.
POSTURA – o corpo também reza! Escolho uma postura que me ajude a rezar concentrado.

Preparo-me por dentro, disponho-me para o encontro. Deixo que Deus seja Deus, o centro da minha oração.

Durante a oração
Peço a graça: rezar é, antes de mais, um dom!
Leio: uma passagem da Bíblia, os pontos/pistas de oração, sem pressas.
Ouço e respondo: abro o coração ao que Jesus me quer dizer. Se necessário usa a imaginação como se estivesses dentro do acontecimento.
Saboreio: sem pressa de “passar adiante”, enquanto o que estou a rezar tiver sabor não mudo de assunto.
Agradeço: agradeço a conversa, o momento de oração, o tempo passado com Deus.

Depois da oração
Se escrevi, releio a oração, sem julgar.
Rezei o tempo proposto? Se não, porquê? O local e a postura ajudaram?
O que me serenou/alegrou/ajudou mais? O que me inquietou?
Que frutos do Espírito Santo recebi? Amor, alegria, paz…
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Dois exemplos de ajudas on line: Passo-a-rezar; Click to pray

Passo 4

Oração ao Cristo do Sorriso (Castelo de Xavier)

Não me move, Senhor para querer-Vos
A glória que me tendes prometido
Nem me move o inferno tão temido
P’ra deixar por isso de ofender-Vos

Moveis-me Vós, Senhor, move-me o ver-Vos
Sorrindo nessa cruz escarnecido
Move-me o Vosso corpo já estendido
E a alegria que vejo ao padecer-Vos

Minha alma em vos amar tanto se esmera
Que não havendo céu, eu vos sorria
E não havendo inferno eu Vos temia

Nada em vos sorrir de Vós espera
Pois, se o que esperara em Vós, não esperara
O mesmo que Vos quero, Vos quisera.

Tarefa: Se levaste a sério o passo anterior podes ser confrontado com a tua fragilidade. Podes pensar que não prestas ou que não fazes nada como deve ser. A vida não se vive apenas nas grandes decisões mas também nas pequenas. E as grandes decisões, nos momentos grandes da vida, são preparadas pelas pequenas decisões quotidianas. Tenta perceber que pequenas decisões precisas de tomar no teu quotidiano para chegares aos desafios maiores. Em silêncio, reza a tua fragilidade! Reza esta oração de São Francisco Xavier mais uma vez.

Ofereçamos ao bom Jesus o nosso pequeno coração com toda a sua miséria. Ele a saberá transformar em virtudes se a nossa oferta foi feita com humildade. (Luísa Andaluz)

Tenho sempre na minha mente e ante os meus olhos algumas palavras que ouvi nosso padre Inácio repetir, que nós devemos nos esforçar muito para conquistar-nos a nós mesmos, e tirar de nossos corações qualquer medo ou ansiedade que possa impedir o crescimento da confiança em Deus.
(Francisco Xavier)

Passo 5

Mc 9,30-37: 30Partindo dali, atravessaram a Galileia, e Jesus não queria que ninguém o soubesse, 31porque ia instruindo os seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens que o hão-de matar; mas, três dias depois de ser morto, ressuscitará.» 32Mas eles não entendiam esta linguagem e tinham receio de o interrogar.
33Chegaram a Cafarnaúm e, quando estavam em casa, Jesus perguntou: «Que discutíeis pelo caminho?» 34Ficaram em silêncio porque, no caminho, tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior.
35Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos.» 36E, tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: 37«Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»

Tarefa: Quantas vezes somos tentados a fugir à nossa missão… A nossa missão é caminho de santidade. Não há receitas… Há caminho a fazer. Não sozinhos mas com Jesus, com a nossa família, com a nossa comunidade. Reza e medita nos mistérios luminosos que são os mistérios da vida quotidiana de Jesus. Rezem todos os peregrinos juntos, parados ou a andar. Se quiseres, depois, inventa os teus próprios mistérios luminosos com episódios da tua vida.

Desempenha sempre com valor a sua missão no mundo, aquele a quem a luz da graça ilumina o caminho. (Luísa Andaluz)

É preciso, pois, que a minha vontade corresponda à confiança e ao fervor que aprouve a Deus inspirar-me na sua misericórdia infinita; é preciso que eu esteja sempre pronto a voar onde a sua voz me chama para ali proclamar a sua divina lei. (Francisco Xavier)

Passo 6

Rom 8,31-39: 31Que mais havemos de dizer? Se Deus está por nós, quem pode estar contra nós? 32Ele, que nem sequer poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não havia de nos oferecer tudo juntamente com Ele?
33Quem irá acusar os eleitos de Deus? Deus é quem nos justifica! 34Quem irá condená-los? Jesus Cristo, aquele que morreu, mais, que ressuscitou, que está à direita de Deus é quem intercede por nós.
35Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 36De acordo com o que está escrito: Por causa de ti, estamos expostos à morte o dia inteiro, fomos tratados como ovelhas destinadas ao matadouro. 37Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores, graças àquele que nos amou.
38Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, 39nem a altura, nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso.

Tarefa: O que espera Jesus de ti neste momento concreto da tua vida? Como é que este momento da tua vida se encaixa no conjunto da tua missão na terra? O que será que Deus quer dizer ao mundo com a tua vida? Ou, de outro modo: que mensagem é que a tua vida passa para os outros acerca de Deus? O que é preciso transformar ou renovar na tua vida?
Não te prendas nos detalhes mas procura agora ter uma visão de conjunto da tua vida. Em silêncio.
Termina fazendo um acto de confiança em Deus com as palavras que tu quiseres.

Tantos dons repartiste comigo numa generosidade incomparável (…). Tudo quero restituir –Te para que tudo disponhas como melhor te aprouver, e só quisera ter mais para mais depor a Teus pés. (Luiza Andaluz, oração de Consagração, 1930)

Ó meu Deus poderoso e Pai piedoso, Criador de todas as coisas do mundo, em vós, meu Deus e Senhor, pois sois todo o meu bem, creio firmemente sem poder duvidar que me tenho de salvar pelos méritos infinitos da morte e paixão de vosso Filho Jesus Cristo, meu Senhor, ainda que os pecados de quando era pequeno sejam muito grandes, com todos os demais que tenho feito até esta hora presente, pois é maior a vossa misericórdia que a maldade dos meus pecados. Vós, Senhor, me criastes, e não meu pai nem minha mãe, e me destes alma e corpo e quanto tenho. E vós, meu Deus, me fizestes à vossa semelhança, e não os pagodes, que são deuses dos gentios em figura de bestas e alimárias do diabo. Eu renego de todos os pagodes, feiticeiros, adivinhadores, pois são escravos e amigos do diabo. Ó gentios, que cegueira de pecado é a vossa tão grande, que fazeis de Deus bestas e demónio, pois o adorais em suas figuras! Ó cristãos, demos graças e louvores a Deus trino e uno, que nos deu a conhecer a fé e a lei verdadeira de seu Filho, Jesus Cristo. (Francisco Xavier)

Passo 7

Lc 11,24-26: 24«Quando um espírito maligno sai de um homem, vagueia por lugares áridos em busca de repouso; e, não o encontrando, diz: ‘Vou voltar para minha casa, de onde saí.’ 25Ao chegar, encontra-a varrida e arrumada. 26Vai, então, e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, instalam-se ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do que o primeiro.»

1Tes 5,14-24: 14Exortamo-vos, irmãos: corrigi os indisciplinados, encorajai os desanimados, amparai os fracos, sede pacientes com todos. 15Prestai atenção a que ninguém pague o mal com o mal; procurai, antes, fazer sempre o bem uns para com os outros e para com todos.
16Sede sempre alegres. 17Orai sem cessar. 18Em tudo dai graças. Esta é, de facto, a vontade de Deus a vosso respeito em Jesus Cristo. 19Não apagueis o Espírito. 20Não desprezeis as profecias. 21Examinai tudo, guardai o que é bom. 22Afastai-vos de toda a espécie de mal. 23Que o Deus da paz vos santifique totalmente, e todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. 24Fiel é aquele que vos chama: Ele há-de realizá-lo.

Tarefa: A corrupção espiritual é pior que a queda dum pecador. É a diferença entre Salomão e David. O primeiro achava que fazia tudo bem porque fazia da maneira que mais lhe convinha. David soube reconhecer o seu pecado e pedir perdão. Tu não és o critério de tudo. Se não reconheceres o mal que tens feito não poderás emendar. Luta contra a tua autossuficiência! Luta contra a tentação de pensares que estás sempre certo, ou que é a tua vontade que tem de ser feita por todos. Não vês o mal que isso te faz? Ou o mal que isso faz à tua família? Em silêncio faz o teu exame de consciência.

Dá pouco a Deus quem não lhe dá tudo. É medida bem cheia e calcada que Ele nos pede; não seja só de palavras a nossa doação! (Luísa Andaluz)
Que Deus tome o teu coração e que Ele aí faça a sua obra! Prepara-te e vive do amor. (Luísa Andaluz)

Convertei parte dos vossos fervores em amar uns aos outros e, parte dos vossos desejos, de padecer por Cristo, em padecer por seu amor vencendo em ti todas as repugnâncias que não deixam crescer o amor. Pois sabeis que Cristo disse que nisto conhece os seus: se se amarem uns aos outros. (Francisco Xavier)

Vigília

Cântico ou música para ambientação

1) Oração da sede (Tolentino Mendonça, Elogio da sede, p.164)
Ensina-me, Senhor, a rezar a minha sede
A pedir-Te não que a arranques de mim ou a resolvas depressa
Mas a amplies ainda
Naquela medida que desconheço
E que apenas sei que é a Tua!
Ensina-me, Senhor, a beber da própria sede de Ti
Como quem se alimenta mesmo às escuras
Da frescura da nascente
Que a sede me torne mil vezes mendigo
Me ponha enamorado e faça de mim peregrino
Que ela me obrigue a preferir a estrada à estalagem
E o aberto da confiança ao programado do cálculo
Que esta sede se torne o mapa e a viagem
A palavra acesa e o gesto que prepara
A mesa onde partilhamos o dom
E quando der de beber aos teus filhos seja
Não porque tenha a posse da água
Mas porque partilho com eles o que é a sede.

2) Rever o dia – silêncio
Qual o passo que mais mexeu comigo?
Quais as maiores dificuldades? Quais as graças que me Deus me concedeu hoje?
O que mais me atraiu nos padroeiros da peregrinação?

3) Partilha (livre)

Cântico ou música

4) Testemunho das irmãs das Servas de Nossa Senhora de Fátima: Actualidade de Luísa Andaluz.

5) Preces espontâneas (livre) + Pai nosso

6) Oração pelo sínodo dos Bispos
Senhor Jesus, a tua igreja em Sínodo dirige o olhar a todos os jovens do mundo.
Pedimos-te que, com coragem, assumam a própria vida,
olhem para as realidades mais bonitas e mais profundas
e conservem sempre um coração livre.
Acompanhados por guias sábios e generosos,
ajuda-os a responder à chamada que Tu diriges a cada um deles,
para realizar o próprio projeto de vida e alcançar a felicidade.
Mantém aberto o seu coração aos grandes sonhos
tornando-os atentos ao bem dos irmãos.
Como o Discípulo amado, também eles permaneçam ao pé da Cruz para acolher a tua Mãe, recebendo-a como um dom de ti.
Sejam testemunhas da tua Ressurreição
e saibam reconhecer-te vivo ao lado deles
anunciando com alegria que Tu és o Senhor. Ámen

Passo 8

Jo 3,1-21: 1Entre os fariseus havia um homem chamado Nicodemos, um chefe dos judeus. 2Veio ter com Jesus de noite e disse-lhe: «Rabi, nós sabemos que Tu vieste da parte de Deus, como Mestre, porque ninguém pode realizar os sinais portentosos que Tu fazes, se Deus não estiver com ele.» 3Em resposta, Jesus declarou-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus.» 4Perguntou-lhe Nicodemos: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?»
5Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. 6Aquilo que nasce da carne é carne, e aquilo que nasce do Espírito é espírito. 7Não te admires por Eu te ter dito: ‘Vós tendes de nascer do Alto.’ 😯 vento sopra onde quer e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito.»
9Nicodemos interveio e disse-lhe: «Como pode ser isso?» 10Jesus respondeu-lhe: «Tu és mestre em Israel e não sabes estas coisas? 11Em verdade, em verdade te digo: nós falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas vós não aceitais o nosso testemunho. 12Se vos falei das coisas da terra e não credes, como é que haveis de crer quando vos falar das coisas do Céu? 13Pois ninguém subiu ao Céu a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem. 14Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, 15a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna.
16Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. 17De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus. 19E a condenação está nisto: a Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram más. 20De facto, quem pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da Luz para que as suas acções não sejam desmascaradas. 21Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se claro que os seus actos são feitos segundo Deus.»

Tarefa: Procura agora rever o teu exame de consciência feito no passo anterior. Avalia se foste sincero ou se precisas de mudar ou acrescentar alguma coisa. Não tenhas medo nem te feches na tua fragilidade. Coloca a tua fraqueza e o teu pecado nas mãos de Deus. Termina fazendo os teus propósitos para este dia e começa a trabalhar nos propósitos para depois da peregrinação, de modo a fazer deles uma nova síntese que brota da vida iluminada pelo Espírito.

Quando a luz da Fé nos ilumina, o coração aquece e caminhamos intrepidamente para Deus, vencendo todos os obstáculos. Saibamos agradecer a Deus essa Fé. (Luísa Andaluz)

Não se adianta na virtude senão quando se tenha triunfado de si próprio. A ocasião de um grande sacrifício é uma coisa tão preciosa que se não deve nunca deixar escapar. (Francisco Xavier)

Passo 9

Mt 5,13-16: 13«Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens.
14Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; 15nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. 16Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu.»

Lc 14,34-35: 34«Coisa boa é o sal; mas, se perder o seu sabor, com que há-de ele temperar-se? 35Não serve nem para a terra, nem para a estrumeira: deita-se fora. Quem tem ouvidos para ouvir, oiça!»

Tarefa: Quais precisas de melhorar na tua vida em concreto? Começa a escolher os meios de que dispões para melhorar ou mudar o que é mais necessário. Faz isso em silêncio e depois em conversa com outro peregrino se achares melhor. Às vezes a visão dos outros sobre nós mesmos pode ajudar muito.

Nosso Senhor é sempre tão generoso para connosco… Dá-nos tudo e dá-se… E nós? Quando é que nos resolveremos a ser generosos para com Ele? (Luísa Andaluz)

É tão grande a multidão dos que se convertem à fé de Cristo, nesta terra onde ando, que, muitas vezes, me acontece sentir cansados os braços de baptizar; e não poder falar, de tantas vezes dizer o Credo e os Mandamentos, na sua língua, deles, e as outras orações, com uma exortação que sei na sua língua, na qual lhes declaro o que quer dizer cristão… (Francisco Xavier)

Passo 10

Mt 9,1-7: 1Depois disto, subiu para o barco, atravessou o mar e foi para a sua cidade. 2Apresentaram-lhe um paralítico, deitado num catre. Vendo Jesus a fé deles, disse ao paralítico: «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados.» 3Alguns doutores da Lei disseram consigo: «Este homem blasfema.»
4Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: «Porque alimentais esses maus pensamentos nos vossos corações? 5Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados te são perdoados’, ou: ‘Levanta-te e anda’? 6Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder para perdoar pecados – disse Ele ao paralítico: ‘Levanta-te, toma o teu catre e vai para tua casa.» 7E ele, levantando-se, foi para sua casa.

Tarefa: Os passos para a santidade medem-se pelos de Jesus. Aproxima-te de Jesus, identifica-te com Ele. Aprende a viver como Ele nos ensinou: através do amor. Ser santo é isso: é ser como Jesus. É estar enamorado de Jesus. O que te atrai em Jesus? O que te afasta dele?
Que passos vais dar? Revê os meios que tens à tua disposição e que viste no passo anterior. Procura concretizar o mais possível em atitudes quotidianas.

Ser fiel à graça, nunca se afastar das veredas da virtude, sejam quais forem as dificuldades que nos assaltem, é programa de vida que nos conduz, com segurança, até bem perto do coração dulcíssimo de Jesus. (Luísa Andaluz)

Muitos cristãos se deixam de fazer nestas partes, por não haver pessoas que em tão pias e santas coisas se ocupem. Muitas vezes movem-me pensamentos de ir aos centros de estudos dessas partes – dando gritos, como alguém que tenha perdido o juízo – e principalmente à universidade de Paris, dizendo na Sorbonne aos que têm mais letras que vontade, para dispor-se a frutificar com elas. Quantas almas deixam de ir para a glória e vão para o inferno, pela negligência deles!
Se, assim como vão estudando em letras, estudassem na conta que Deus Nosso Senhor lhes pedirá delas e do talento que lhes deu, muitos deles se moveriam, tomando meios e Exercícios Espirituais para conhecer e sentir dentro, em suas almas, a vontade divina, conformando-se mais com ela que com as suas próprias afeições, dizendo: «Senhor, aqui estou. Que queres que eu faça ? Envia-me aonde quiseres; e se convém, mesmo aos índios». (Carta de Francisco Xavier a Inácio de Loyola, 15 de Janeiro de 1544)

À CHEGADA AO SANTUÁRIO

Rezar os mistérios gloriosos e no final terminar com o Credo.

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo um só baptismo para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há-de vir. Ámen.